“— É amor.
— Não, não é.
— Não perguntei, eu afirmei.
— Tudo bem, mas não é.
— É claro que é.
— Claro que não é!
— Está na cara que é.
— É lógico que não é.
— Você já está ficando vermelha, o que só afirma ainda mais que é.
— Não, eu não estou vermelha e não é amor.
— É tão difícil aceitar que é?
— É.
— Por quê?
— Porque o amor sempre acaba, e eu não quero que isso acabe. Não quero e não pode. Então, que seja qualquer outra coisa, menos amor, menos algo que um dia acabe.”
“Ela o amava. Ele a amava também. E ainda que essa coisa, o amor, fosse complicada demais para compreender e detalhar nas maneiras tortuosas como acontece, naquele momento em que acontecia dentro do sonho, era simples. Boa, fácil, assim era. Ela gostava de estar com ele, ele gostava de estar com ela. Isso era tudo.”
— Caio Fernando Abreu